Crençasentida

A maior força da ciência é a de combater as superstições e os preconceitos que mantêm a humanidade submetida às divisões imaginárias, impedindo, desse modo, o conhecimento do comunismo superior. O orgulho europeu, especialmente o orgulho britânico, foi severamente colocado em questão com a confirmação científica de que os habitantes do Reino Unido, que viviam naquela região há dez mil anos, eram de pele escura e olhos azuis, ao contrário, portanto, do que diz a “crença popular”. Vindo da África, onde a cor escura da pele era uma proteção contra os intensos raios ultravioletas daquele continente, esses antigos habitantes europeus passaram a viver num ambiente onde os raios solares eram mais escassos, ocasionando as mudanças na cor da pele no decorrer de milênios – segundo Víctor Acuña, “em zonas com pouco sol, ter cor da pele mais clara permitia uma melhor absorção da luz ultravioleta, que é vital para a obtenção de vitamina D” (1). Este fato, dentre inúmeros, demonstra que não é nada “místico” ou “metafisico” afirmar que sob as raças, as nacionalidades e as classes sociais, estão as forças da vida que, para falar como Nietzsche, “estão em tensão, querem mais potência” – mas isso é completamente contrário à crença popular de religiosos, eruditos e todos que amam o poder... Se quisermos manter a palavra “crença”, mas com outro sentido, podemos chamar de “crençasentida” a experiência das forças em nós – a confiança na vida surge daqui, da transfiguração... Se a cor da pele é uma nova configuração das forças que surge em circunstâncias peculiares e imprevisíveis, os múltiplos modos dos humanos viverem em ambientes diversos (a etnologia nos atesta isso com abundância) demonstram a impossibilidade dos “crentes populares” de realizar, aos olhos deles, a “ordem mundial” que é, para os nossos olhos, a “configuração total” – isso é irrealizável porque é impossível matar a vida...

1. "Por que os humanos que migraram da África para a Europa ficaram brancos há milhares de anos": https://goo.gl/eUc7z7

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